"Minhas páginas..."®

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Blogger desde maio de 2010

domingo, 30 de maio de 2010

Fazia Tempo

Fazia Tempo que meu lápis
não corria sobre o papel.
Fazia Tempo que não
falava das minhas aflições,
minhas dores e amores...
Fazia Tempo que não lembrava
e não chorava de arrependimento...
Fazia Tempo que minha boca calada
não falava palavras de amor,
de sonhos e desejos...
Fazia Tempo que minhas ilusões
não pegava carona num rabo de uma estrela
que cai no céu de meus sonhos...
Fazia Tempo que minhas mãos
não acariciavam as praias
deixando a areia escoar por entre os dedos,
como se esvaem nossas fantasias,
nossos sonhos...
Fazia Tempo que meu lápis
não falava da doce loucura
dos meus momentos insanos
ou dos meus instantes de plena consciência,
onde a lágrima triste cai...
Fazia Tempo que meu lápis
não falava de poesia,
onde tudo posso,
onde tudo é possível...
Fazia Tempo que eu não te amava como eu te amo!...
Fazia Tempo....


© copyright by J. A. F. Canoas

Carta para Vivian (minha Pitika)

Oi filha,
Hoje minhas lágrimas fundiram em uma só: fundiram na lágrima da saudade...
De nós dois, filha, ficaram-me apenas suas fotos antigas, as lágrimas, um imenso vazio e o gesto mudo. Um gesto mudo que fala todas as palavras de carinho e de amor, que existem em todos os dicionários.
Um gesto mudo de um aceno, que fala todas as palavras de dor, em todos os idiomas que conheço e que não conheço...
Ficaram-me ainda, filha, um grito perdido no ar, um gesto preso. Preso como um grito alucinante que morre na garganta, como eu morro, um pouquinho, em cada saudade.
Quantas palavras eu poderia inventar para exprimir a saudade. Quantos gestos, quantos gritos... Porém nada pode suplantar a saudade que ficou e que hoje mora em meus sonhos.
Vejo, filha, seus cabelos ainda revoltos no ar, e num gesto inútil tento acariciá-los. Vejo seus gestos, o som de seus passos e o som de sua voz...
Vejo a cama onde você dormiu e aliso ternamente seu travesseiro. Ainda sinto nele seu perfume...
Encontro perdido no quarto, um fio de seu cabelo.
Encontro caído em um canto de minhas lembranças, seu sorriso e a sombra de seus carinhos.
Encontro ainda, escondida dentro de mim, a saudade... Então uma lágrima teimosa vem e cai...
Enfim durmo... Durmo com seus sonhos, acordo com a esperança e vivo o dia-a-dia em saudades...
_ Que saudades, filha! Que saudades!...

© copyright by J. A. F. Canoas

Medo

Com medo de minhas ilusões,
retraio-me diante de ti
e calo minha voz...

O papel e a caneta,
antes indiscretos,
não invadem meus desejos mais íntimos.
_ Tenho medo....
Minha pena não encontra as palavras.
Minha pena fica muda...

Com medo, minhas mãos,
negam-se acariciar-te
e a pegar as estrelas cadentes
para enfeitar teu corpo...

Mas, com medo, meus olhos
procuram migalhas de carinho,
que derramas pelo caminho...

E com mais medo, meu coração,
por mais que negue,
revela, bem baixinho:
_ Eu te amo!...

© copyright by J. A. F. Canoas