Hoje minhas lágrimas fundiram em uma só: fundiram na lágrima da saudade...
De nós dois, filha, ficaram-me apenas suas fotos antigas, as lágrimas, um imenso vazio e o gesto mudo. Um gesto mudo que fala todas as palavras de carinho e de amor, que existem em todos os dicionários.
Um gesto mudo de um aceno, que fala todas as palavras de dor, em todos os idiomas que conheço e que não conheço...
Ficaram-me ainda, filha, um grito perdido no ar, um gesto preso. Preso como um grito alucinante que morre na garganta, como eu morro, um pouquinho, em cada saudade.
Quantas palavras eu poderia inventar para exprimir a saudade. Quantos gestos, quantos gritos... Porém nada pode suplantar a saudade que ficou e que hoje mora em meus sonhos.
Vejo, filha, seus cabelos ainda revoltos no ar, e num gesto inútil tento acariciá-los. Vejo seus gestos, o som de seus passos e o som de sua voz...
Vejo a cama onde você dormiu e aliso ternamente seu travesseiro. Ainda sinto nele seu perfume...
Encontro perdido no quarto, um fio de seu cabelo.
Encontro caído em um canto de minhas lembranças, seu sorriso e a sombra de seus carinhos.
Encontro ainda, escondida dentro de mim, a saudade... Então uma lágrima teimosa vem e cai...
Enfim durmo... Durmo com seus sonhos, acordo com a esperança e vivo o dia-a-dia em saudades...
_ Que saudades, filha! Que saudades!...
© copyright by J. A. F. Canoas
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