Porém a um coração sensível, o que vale é o instante. Ao poeta , tudo é possível. Ao poeta tudo é permitido. O poeta fala de planícies, sendo que nunca viu uma. Fala de aves coloridas ou até de aves com asas de vidro.O poeta fala de amores imaginários. De amores que viveu apenas no momento em que escrevia, no momento que seu lápis indiscreto, sagrava o papel com suas dores e lamentações. Após, nem sabia o porque... O poeta fala de magia, navega em veleiros ou em náus antigas. O poeta, fala do espaço, do tempo, do infinito, das estrelas que caem, ou da lua no teto do seu quarto...
Falar de tristezas, mágoas, são apenas instantes que o poeta juntou nas mãos e jogou sobre o branco do papel. Falar de saudade é falar dos momentos que o poeta colecionou...
Escrever, é idealizar o momento e transformar atos em poesia. São fragmentos de si mesmo, é estar tocado de eternidade. É quando os dedos tocam na garganta do tempo. É quando tudo dorme dentro de nós. E quando então o poeta retorna sobre si mesmo, úmido de silencio, terá descoberto mais um poema.
É uma pena que você nunca sentiu o perfume das cores, nem namorou a alegria latente das horas graves por onde passa a vida.
É uma pena que você nunca viu os peixes multicoloridos no mar dentro de uma única lágrima. É uma pena que você nunca ouviu a voz do vento tecendo a vida e brincando no topo as árvores...
É uma pena porque o tempo foge levando amizade, amor e corre trazendo a saudade...
É uma pena que você... Ora, deixa pra lá...
É uma pena!...
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