As sombras povoam meu quarto, meu universo particular.
Fotografias que não existem, guardam momentos de sonhos imaginários. E trazem pedaços enormes de solidão que são mastigados bem devagar...
_ Permanece o silencio...
Deixo-me levar pelas sombras, nesse caminho invisível do nada.
Beijo com a língua triste, seus lábios sedosos que nunca sentí...
Acaricio seus cabelos e suas mãos...
Em seu corpo, busco caravelas antigas de todos os oceanos. E ancoro meu barco em portos seguros e ausentes...
A beleza transforma todas as cores da paisagem no meu lago revolto à espera de temporais...
Adormeço em seus braços me debatendo contra os gritos abafados presos na garganta. com as lágrimas escorrendo nos olhos e os dedos apontados para o nada...
Eterniza-se o grito preso na garganta soluçando seu nome...
E das sombras de meu quarto, fica apenas uma folha de papel onde estavam meus sonhos, os oceanos onde naufragaram as náus invisíveis de minhas ilusões...
Ficam o papel e o meu lápis, cada um tirando do outro, os meus pedaços mais íntimos...
Fica também você, mais uma ilusão...
© copyright 2010 by J. A. F. Canoas
® direitos autorais Registrado no INPI - (Obras Literárias)
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