Hoje parei para olhá-la. Como já está mocinha. Está quase da minha altura, já ultrapassou meus ombros. É certo que eles já não estão mais rijos e nem retos, como antes. Hoje o peso e os sofrimentos das lições da vida, os deixaram mais flácidos e caídos...
Contemplo sua beleza, sua pele lisa, seus longos e belos cabelos, o brilho alegre de seus olhos. Então filha, me olho no espelho e vejo minha pele já com os sinais dos tempos e em meus cabelos, a neve da experiência já começa a cair... Minha barba, outrora negra, hoje já está quase toda branca... Meus olhos já não possuem o brilho alegre dos sonhos, das ilusões, hoje já estão opacos e vislumbram o fim da estrada...
O meu coração outrora vibrante e vigoroso, hoje está cansado das ilusões vividas e dos amores não correspondidos...
Minhas mãos que antes empunhavam o lápis indiscreto, que contava amores, sonhos impossíveis e frases que meus lábios não tinham coragem de falar; hoje , elas estão cansadas, doidas e já não conversam com o papel com a mesma intimidade que antes faziam...
É filha, seu pai ficou velho... E o que mais lamento, é não ter a sua idade, para poder compartilhar também de seus sonhos...
Perdoe-me filha, por estar ficando velho...
© copyright by J. A. F. Canoas
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