Sabe filha, olhando você adormecida assim, minhas mãos não se controlam e passam a alisar seus cabelos, acariciando-os lentamente. Vejo-a sorrindo levemente... Qual será o seu sonho? Em que brincadeira estará vivendo seu sonho neste momento? Imagino-a sonhando com seus brinquedos, suas bonecas, ou melhor, “seus filhos”... Parece que os brinquedos flutuam pelo quarto durante o seu sonho...
Vejo-a falar dormindo, palavras desconexas... O que estará sonhando? E assim quem passa a sonhar sou eu. Sonho, sonho e sonho... Vejo-a correndo pelo quintal, brincando, teimando ou brigando... Jogo videogame com você e disputo “pau a pau” cada partida. Mas você sempre “vence”. Posso até ver o brilho em seus olhos e o seu sorriso de satisfação em vencer-me...
Quando vou buscá-la na escola, só Deus sabe quanta alegria sinto ao saber que está aprendendo e quanto orgulho eu sinto pelas suas notas...
Quando está doente, filha, meu sono não tem hora, minha cama é quase sempre partilhada com você, na esperança vã de poder afastar a febre que às vezes a incomoda...
E a minha imaginação ainda voa e vai até onde você está...
Quando estamos assistindo TV, você deita em meu colo, por entre minhas pernas e curte o filme. Mas o filme não me empolga, pois sinto o calor de seu corpinho junto ao meu e aliso novamente os seus cabelos. E você numa alegria incontida, pula em meus braços e alisando meu rosto, diz: “puxa pai, você está barbudo hoje”...
Mas os cavalos coloridos, as bonecas e as casinhas não param de bailar no espaço de minha mente e pelo quarto...
Quando você passa batom e se pinta toda, com ares de moça-grande... Ah! Minha pequena menina!...
Mas de todos os sonhos, filha, o que mais me agrada, é o de sonhar com o seu amor e o sonho de ser verdadeiramente o seu pai...
E assim, cobrindo-a, velando pelo seu sono, para que nada possa interrompê-lo, peço a Deus que a abençoe e também adormeço...
Seu pai...
(à minha filha como todo o meu amor e carinho)
© copyright by J. A. F. Canoas
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